ALEGAÇÕES FINAIS DO RÉU EM AÇÃO INDENIZATÓRIA DECORRENTE DE ARRENDAMENTO
Petições
- Ações Indenizatórias
O réu de ação de indenização apresenta memoriais, reforçando a contestação e
alegando não ser responsável pelas despesas mal documentadas e sem qualquer
sustentação fática ou jurídica feita pela autora.
EXCELENTÍSSIMO
SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA.... ª VARA CÍVEL DA COMARCA
DE....................
.................................., já qualificado, por seu advogado adiante
assinado, nos autos de AÇÃO ORDINÁRIA DE INDENIZAÇÃO que lhe move ......., em
curso nesse Juízo, sob nº ...., atendendo ao respeitável despacho de V. Exa. às
fls. ......., vem apresentar suas razões finais, consubstanciadas no seguinte:
MEMORIAL
Pretende a
Autora, após rescindir Contrato de Arrendamento das instalações do Restaurante
e lanchonete, que manteve com o Réu, cobrar o ressarcimento de refeições que
teria servido a "convidados", diretores e funcionários do Réu
Para
tanto, junta extensa e repetitiva documentação encontrada nos autos de fls.
......... à ...., consistente em tickets de mesas, "vales", comando
de bar e esparsas notas fiscais.
Simples
passar de olhos pela documentação juntada revela ter a Autora, sem qualquer
comprometimento com a verdade, ao retirar-se das instalações do Réu, limpado as
gavetas e despejado nos autos tudo que encontrou!
Exame mais
detalhado desses "documentos", a falta de maiores explicações e mesmo
o pedido, tal como feito, mostram a pouca seriedade da Autora, senão a má-fé da
cobrança!
Vejamos:
Em
primeiro lugar, tirante as notas fiscais de fls. ........., ........, ........
e ....... emitidas em nome do Réu, todos os demais "documentos", de
fls. ...., não dizem respeito a pessoa jurídica do Réu, não comprovam a alegada
dívida nem têm qualquer valor contábil ou legal.
Dos
documentos emitidos em nome do Réu, o de fls. ...., referem-se às despesas
feitas por Diretor do Clube - de queml deveriam ser cobrada a conta, está com
seu valor rasurado!
As Notas
Fiscais de fls....., igualmente emitidas em nome do clube, referem-se a
despesas efetuadas por músicos. Os comandos de bar de fls........ são despesas
de funcionários da Autora (chapeiro, copeiro, garçons). Tanto uma como outra
despesa, nos termos da cláusula ........... do Contrato de Arrendamento (fls.
.... dos autos), são despesas de responsabilidade da Autora!
Há de se
observar ainda que as notas fiscais de fls. ...., emitidas por postos de
gasolina, referem-se ao fornecimento de combustível, sendo que nenhuma
responsabilidade contratual tem o Clube por fornecimento de combustível à
Autora. O documento de fls. ........ data de ........, quando a Autora não mais
prestava serviços ao Clube!
O
documento de fls. .... refere-se a xérox, tirado pela Autora, despesa
totalmente estranha ao objeto do contrato, desconhecendo o Réu a que se
destinava, assim como se fazia parte do cardápio da Autora tal prato ....
Os
documentos de fls..... estão emitidos em nome de diversos outros clubes, e
àqueles dizem respeito.
O Réu
nenhuma responsabilidade tem com tais despesas, que segundo revelado pelos
responsáveis dos citados Clubes, foram pagas diretamente à Autora, no ato!
Da mesma
forma, centenas de documentos são de responsabilidade das pessoas físicas, sócios,
funcionários, diretores e até estranhos, neles nominados.
É de se
verificar ainda que inúmeras notas fiscais apresentadas representam o total dos
valores e tickets igualmente juntados, constituídos, se tomados globalmente, na
mesma despesa.
Isto
posto, revelam-se sem qualquer sustentação fática as absurdas pretensões da
Autora, ressaltando dos autos a total discrepância entre a postulação feita e
os elementos apresentados que possam induzir a qualquer responsabilização por
parte do Réu.
Como bem
estabelece J. J. Calmon de Passos, in Comentários ao Código de Processo Civil,
Vol. III, pág. 203, em lição que, se amolda perfeitamente ao presente caso,
"A
petição inicial contém um silogismo. É lição velha. Nela está uma premissa
maior (fundamentos de direito), uma premissa menor (fundamentos de fato) e uma
conclusão (o pedido). Consequentemente, entre os três membros desse silogismo
deve haver, para que se apresente como tal, um nexo lógico.
Portanto,
se o fato não autoriza as conseqüências jurídicas, a conclusão é falha; se as
conseqüências jurídicas não guardam coerência com os fatos, igualmente; e por
último, se a conclusão está em desarmonia com as premissas, ela é
inconseqüente.
João
Mendes, renovando a lição dos praxistas, dizia ser inepto o libelo quando: a)
para o fato narrado não há direito aplicável; b) o direito exposto não é
aplicável ao fato narrado; c) da aplicação do direito exposto ao fato narrado
não se conclui a procedência do pedido. O ensinamento ainda é válido e
aplicável ao dispositivo ora sob comentário.
Os Autores
tipificaram corretamente o fato jurídico, mas lhe atribuíram conseqüências
jurídicas não autorizadas, pelo que o seu pedido não guarda coerência lógica
coma premissa menor; e ainda quando o juiz possa corrigir a premissa maior, não
poderá fazê-lo se modifica o pedido formulado pelos Autores; neste caso, a
inicial é inepta; d) os Autores tipificaram incorretamente o fato jurídico e,
consequentemente, pediram o que os fatos não autorizavam; também aqui a
faculdade deferida ao juiz de corrigir a premissa maior encontra obstáculo
intransponível na impossibilidade de modificar o pedido como formulado pelos
Autores, pelo que a petição será igualmente inepta".
Na
verdade, para não utilizar adjetivação mais contundente, mostra-se carente de
seriedade não só a pretensão sub judice, como a própria documentação
apresentada, constituindo verdadeiro absurdo jurídico imputar qualquer
responsabilidade ao Réu, pelo ressarcimento de despesas mal documentadas,
efetuadas por terceiros, nas dependências do Clube arrendadas à Autora.
E como já
sentenciava o romano, allegatio partis non facit jus!
Por todo o
exposto, impõe-se seja reconhecida a improcedência da ação, e condenada a
Autora nas cominações de estilo, como de direito se impõe.
Nestes
termos,
Pede
deferimento............................
..................,
.... de ............... de ....
______________________
Advogado OAB/...