DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO - VÍCIOS DO CONSENTIMENTO
Direito Civil - Teoria Geral do Direito Civil
São vícios do consentimeto o erro, dolo, coação, simulação e
fraude contra credores.
Defeitos do negócio jurídico: são os vícios do consentimento,
como o erro, o dolo e a coação, que se fundam no desequilíbrio da atuação
volitiva relativamente a sua declaração; esses vícios aderem à vontade,
penetram-na, aparecem sob forma de motivos, forçam a deliberação e estabelecem
divergência entre a vontade real, ou não permitem que esta se forme.
Erro é uma noção inexata, não verdadeira, sobre alguma
coisa, objeto ou pessoa, que influencia a formação da vontade; o erro para
viciar a vontade e tornar anulável o negócio deve ser substancial, escusável e
real, no sentido de que há de ter por fundamento uma razão plausível, ou ser de
tal monta que qualquer pessoa inteligente e de atenção ordinária seja capaz de
cometê-lo.
Erro escusável é aquele que é justificável, tendo-se em
conta as circunstâncias do caso. O erro substancial haverá, quando recair sobre a natureza do
ato, quando atingir o objeto da principal declaração em sua indentidade, quando
incidir sobre as qualidades essenciais do objeto e quando recair sobre as
qualidades essenciais da pessoa; erro substancial é erro de fato por recair
sobre circunstâncias de fato, isto é, sobre qualidades essenciais da pessoa ou
da coisa.
Erro acidental é concernente às qualidades secundárias ou
acessórias da pessoa, ou do objeto, não induz anulação do negócio por não incidir
sobre a declaração de vontade. Erro de direito é aquele relativo à existência de uma norma
jurídica, supondo-se, que ela esteja em vigor quando, na verdade, foi revogada;
o agente emite uma declaração de vontade no pressuposto falso de que procede
conforme a lei.
Erro quanto ao fim colimado (falsa causa): em regra, não
vicia o ato jurídico, a nào ser quando nele figurar expressamente,
integrando-o, como sua razão essencial ou determinante, caso em que o torna
anulável. Dolo é o emprego de um artifício ou expediente astucioso
para induzir alguém à pratica de um ato que o prejudica e aproveita ao autor do
dolo ou a terceiro.; várias são suas espécies:
a) Dolus bonus ou malus: o bonus não induz anulabilidade; é
um comportamento lícito e tolerado, consistente em reticências, exageros nas
boas qualidades, dissimulações de defeitos; é o artifício que não tem a
finalidade de prejudicar; o malus consiste no emprego de manobras astuciosas
destinadas a prejudicar alguém; é desse dolo que trata o CC, erigindo-o em
defeito do ato jurídico, idôneo a provocar sua anulabilidade;
b) Dolus causam ou principal e dolus incidens ou acidental:
o principal é aquele que dá causa ao negócio jurídico, sem o qual ele não se
teria concluído, acarretando, então, a anulabilidade daquele negócio; o
acidental é o que leva a vítima a realizar o negócio, porém em condições mais
onerosas ou menos vantajosas, não efetuando sua declaração de vontade, embora
provoque desvios, não se constituindo vício de consentimento, por não influir
diretamente na realização do ato, que se teria praticado independentemente do
emprego de artifícios astuciosos; não acarreta a anulação do ato, obrigando
apenas à satisfação de perdas e danos ou a uma redução da prestação acordada;
c) dolo positivo ou negativo: positivo é o dolo por comissão
em que a outra parte é levada a contratar, por força de artifícios positivos,
ou seja, afirmações falsas sobre a qualidade da coisa; o negativo se constitui
numa omissão dolosa ou reticente; dá-se quando uma das partes oculta alguma
coisa que o co-contratante deveria saber e se sabedor não realizaria o negócio;
para o dolo negativo deve haver intenção de induzir o outro contratante a
praticar o negócio, silêncio sobre uma circunstância ignorada pela outra parte,
relação de causalidade entre a omissão intencional e a declaração de vontade e
ser a omissão de outro contratante e não de terceiro.
Coação seria qualquer pressão física ou moral exercida sobre
a pessoa, os bens ou a honra de um contratante para obrigá-lo ou induzi-lo a
efetivar um negócio jurídico; para que se configure a coação moral é mister a
ocorrência dos seguintes requisitos:
a) a coação deve ser a causa determinante do negócio
jurídico;
b) deve incutir à vítima a um temor justificado;
c) o temor deve dizer a respeito a um dano iminente;
d) o dano deve ser considerável ou grave;
e) o dano deve ser igual, pelo menos, ao receável do ato
extorquido (a ameaça deve referir-se a prejuízo que influencie a vontade do
coacto a ponto de alterar suas determinações).
Excluem a coação: a ameaça do exercício normal de um direito
ou o simples temor reverencial. A coação exercida por terceiro, ainda que dela
não tenha ciência o contratante, vicia o negócio, causando sua anulabilidade;
porém, se for previamente conhecida pela parte a quem aproveitar, esta
responderá solidariamente com aquele por todas as perdas e danos.
Simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando a
produzir efeito diverso do ostensivamente indicado; caracteriza-se pelo
intencional desacordo entre a vontade interna e a declarada, no sentido de
criar, aparentemente, um negócio jurídico, que, de fato, não existe, ou então
oculta, sob determinada aparência, o negócio realmente querido; Ela pode ser:
a) absoluta, quando da declaração enganosa da vontade
exprime um negócio bilateral ou unilateral, não havendo intenção de realizar
negócio algum; fingem uma relação jurídica que na realidade não existe;
b) Relativa, quando resulta no intencional desacordo entre a
vontade interna e a declarada; dá-se quando uma pessoa, sob aparência de um
negócio fictício, pretende realizar outro que é o verdadeiro, diverso, no todo
ou em parte, do primeiro; a simulação relativa pode ser subjetiva ou objetiva,
inocente ou maliciosa.
Fraude contra credores á a prática maliciosa, pelo devedor,
de atos que desfalcam o seu patrimônio, com o escopo de colocá-lo a salvo de
uma execução por dívidas em detrimento dos direitos creditórios alheios; possui
o elemento objetivo, que é todo ato prejudicial ao credor, e o subjetivo, que é
a má fé, a intenção de prejudicar do devedor.
Autor: Desconhecido